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Martin Buber – do dialógico ao interhumano…


Um blogue sobre o pensamento de Martin Buber… importantes reflexões para problematizar o colectivo e o transpessoal como fundamento da arte pública participativa, comunitária…


http://pensamentodemartinbuber.blogspot.com/2007/11/iii1-o-mundo-duplo-para-o-homem-segundo.html

Alguns excertos:

Frente à situação contemporânea surgem duas atitudes: o individualismo e o coletivismo. Buber comenta a respeito dessa situação que, se o individualismo só entende uma parte do homem, o coletivismo entende o homem só como uma parte. Nenhum dos dois alcança a totalidade. O individualismo só vê o homem em relação consigo mesmo, e o coletivismo nem vê o homem, pois só vê a “sociedade”. O primeiro distorce o rosto do homem, o segundo o mascara.

Ambos são a expressão e conclusão da união do abandono cósmico e social, do medo do universo e da vida, que tem por resultado uma constituição existencial de solidão tal como nunca existiu antes. A pessoa se sente, de uma vez, exposta pela natureza e isolada no meio do mundo humano tumultuado.


Essa categoria do interhumano é uma categoria ambígua e talvez a própria familiaridade torna difícil sentir sua tonalidade específica. Em uma associação grupal comum, essa relação certamente falta, pois o evento normativo é o poder do coletivo. O elemento pessoa é suprimido em geral. Mas, é exatamente esse elemento pessoal que é de primeira importância para a vida do interhumano.

O que importa é que para ambos os sujeitos o outro ocorra como o outro particular e que cada um se torne consciente do outro. Assim se relacione com ele de tal modo que não o olhe ou considere como se fosse um objeto e sim como companheiro, em um acontecimento vivencial. Tal acontecimento vivencial não se equaciona com a observação desse tipo.