
Felizmente que está em curso uma recuperação mais actualizada do legado de Wagner, especialmente o de A Obra de Arte do Futuro (1849). O ruído provocado pela enormidade da personagem e mitos urbanos associados, juntamente com uma leitura restrita – estética – do processo de desconstrução das modalidades artísticas que Wagner empreende, estavam a impedir que reconheçamos no pensador não apenas um teórico da arte, mas verdadeiramente um retórico da arte pública, como aliás o (in?)suspeito Joseph Beuys não deixou de notar.
Estamos convocado todos, para a leitura desta bela tradução de Miranda Justo, em que conceitos como 'carência', 'gosto', 'modalidade', 'redenção', 'povo', 'comunidade' – cito aleatoriamente e de memória – nos ajudam a, hoje, abordar a transmediática da arte pública contemporânea (que vai sendo ancorada em Nancy ou Rancière, entre outros) com os pés assentes na visão romântica, da qual nenhum pós-modernismo, mesmo que tão necessário, poderia arrancar-nos.