
Esta exposição merece uma visita urgente e demorada. No Pavilhão 27 do Hospital Júlio de Matos, a experiência total do campo expandido da arte pública. Tantas portas abertas num espaço luminoso, cuja brancura diurna as esculturas-candeeiro multiplicam, num acto de um heroísmo simultaneamente autónomo, gratuito e eficaz. O autor dilui a sua autonomia na delegação de decisões, explicita o seu poder na desmaterialização da sua forma (obrigado Tatiana!), concretiza um modelo de acção aferível por todos os participantes. Todo o dispositivo funciona: a noção de uma silhueta e de um volume que se deixa captar teatral mas também intimamente, a intensidade de uma performance que suspende o discurso mas lhe mantém a intensidade micropolítica, o controlo do sistema e da comunicação – a general social technique de John Roberts em 'The Intangibillities of Form'… Tantas portas abertas, tanta luz e tanta brancura. Esta exposição merece uma visita urgente e demorada.